Imóveis pequenos e aconchegantes lideram a preferência

O número de pessoas que vivem sozinhas, sejam viúvos, divorciados ou mesmo jovens que optam por isso, cresce a cada ano no Brasil, conforme os levantamentos do IBGE. Estima-se que, atualmente, cerca de 33,9% das pessoas com idade entre 20 e 34 anos moram sozinhas. Este seria, talvez, o principal fator que tem influenciado a oferta e demanda de imóveis cada vez mais compactos.

Ter seu próprio cantinho para relaxar e ler um bom livro, descansar da rotina agitada e, enfim, refugiar-se do mundo exterior é o desejo de muitos, seja jovem ou idoso, casado ou solteiro. O fato é que, estatisticamente, o número de pessoas que têm optado por viver sozinhas é cada vez mais expressivo e, para atender esta parcela de público significativa, a demanda por imóveis mais compactos e funcionais tem aumentado consideravelmente nos últimos anos.

A mudança no perfil das famílias brasileiras é o principal fator que contribui para este fenômeno, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há alguns anos, era comum que os filhos permanecessem na casa dos pais até casarem e, em muitos casos, ficavam lá mesmo depois do casamento. Mas este comportamento reduz ano após ano, principalmente em função dos estudos e trabalho, que têm feito boa parte dos jovens saírem cedo de casa e morarem sozinhos. Também há aquelas pessoas que optaram por não casar ou viver em união estável, além dos casados que se divorciaram e viúvos, que ajudaram a elevar estes índices.

O IBGE estima que existam quase 90 milhões de pessoas solteiras no País, além de outros 16 milhões de integrantes no grupo de viúvos, separados ou divorciados. Em 2013, aproximadamente 13% dos domicílios no Brasil eram formados por pessoas morando sozinhas. Este número cresceu 35% entre os anos de 2004 e 2013, especialmente entre o público mais jovem. A estimativa é que 34% dos brasileiros com idade entre 20 e 34 anos moram sozinhos atualmente. 

 

Apartamento em Pato Branco

Projetos que integram os ambientes, mesmo compactos, dão sensação de aconchego e praticidade. Imagem: Projeto em Pato Branco

 

Um bom mercado pela frente


O impacto deste comportamento social é diretamente sentido no setor imobiliário. A procura por quitinetes e apartamentos pequenos, normalmente com apenas um ou dois dormitórios, cresce e as construtoras estão de olho nesse nicho de mercado. Contudo, apesar de os espaços serem compactos, os clientes que buscam este tipo de imóvel não abrem mão da praticidade e funcionalidade. Esta tendência ganha força no mundo todo e já começa a refletir em todas as regiões brasileiras.

A arquiteta e urbanista Aline Cristina Krupkoski, de Francisco Beltrão, confirma esta tendência. Especialista em Projeto e Concepção do Ambiente Construído e também em Arquitetura e Iluminação, Aline revela que a ideia agora está mais forte no Brasil, mas já é adotada em outros países, como o Japão, onde o espaço é muito reduzido e este conceito aparece há um bom tempo. Ela fala sobre o perfil deste público na região. “É uma tendência que vem crescendo bastante nos últimos tempos. O foco são pessoas que estão conquistando seu primeiro apartamento, famílias recém-formadas ou então o jovem que quer sair da casa dos pais.”

Na análise da arquiteta, outro fator que influenciou o conceito de projetos menores na região é o tamanho médio dos terrenos. Antigamente, por exemplo, era comum ter à disposição lotes considerados grandes, com quase mil metros quadrados, e isso também mudou. “Hoje, nos loteamentos novos, a maioria dos lotes tem medidas bem menores, muitos só respeitam as medidas mínimas estipuladas pela Prefeitura. Isso acaba sendo um condicionante muito importante nos projetos. O mesmo acontece com as salas comerciais, principalmente as destinadas a escritórios e clínicas. Os ambientes integrados e multifuncionais vieram a nos ajudar nesse quesito de espaços reduzidos”, comenta Aline.

 

Muita atenção na hora de projetar


De uma forma geral, todo projeto é um grande desafio para os profissionais da construção civil. Contudo, projetar espaços reduzidos requer alguns cuidados especiais e também demanda algumas estratégias técnicas que podem valorizar o ambiente e dar um ar diferenciado. “A utilização de espelhos é um grande truque que sempre utilizamos para ampliar o ambiente. A escolha das cores é muito importante: para deixar o ambiente mais leve e trazer mais luminosidade, utilizamos cores claras. As cores escuras devem ser utilizadas com cuidado. Quando usada na parede correta, ela pode dar a sensação de profundidade”, explica a arquiteta.

Outro detalhe que contribui com a estética e a sensação de ambiente maior é o piso. A orientação de Aline é utilizar o mesmo piso no apartamento todo para dar a sensação de unidade. “Porém, caso o proprietário faça questão de utilizar porcelanato somente nas áreas molhadas e laminado no restante, por exemplo, pede-se que as cores sejam parecidas e essa transição precisa ser bem pensada para não dar a sensação de que os ambientes são menores”, frisa.
É claro que, apesar deste forte crescimento do mercado de pequenos imóveis, o setor de alto padrão continua ocupando seu espaço, como destaca Aline. “Estes projetos maiores sempre irão existir. Normalmente são para uma classe que já está consolidada profissionalmente.”

Mesmo com espaços limitados, com boas estratégias e alguns truques simples é fácil equilibrar o ambiente e deixar tudo agradável. Imagem: ArchDaily Brasil

Mesmo com espaços limitados, com boas estratégias e alguns truques simples é fácil equilibrar o ambiente e deixar tudo agradável. Imagem: ArchDaily Brasil

 

Texto: Alex Trombetta – Revista Gente do Sul