Cada ambiente com sua luminosidade ideal

 

Por Cristiane Sabadin

 

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A sala de jantar integrada com a sala de TV tem iluminação para cada ocasião.

 

A luz é praticamente 100% do resultado final de um bom projeto arquitetônico e, para que tudo aconteça da melhor forma, é preciso planejamento. Para a arquiteta e urbanista Aline Krupkoski, que cursa pós-graduação em Arquitetura de Interiores e Iluminação pelo IPOG, “a iluminação é muito mais que a solução funcional para um correto desempenho de uma tarefa”.

Neste sentido, se prestarmos atenção à iluminação residencial, podemos tirar grandes lições acerca do assunto. Segundo Aline, é por meio da iluminação que a arquitetura é apresentada, desde sua forma, cor e textura. “Através da iluminação, podemos proporcionar uma experiência ao usuário, criando o cenário ideal para cada ocasião.”

Confira mais detalhes na entrevista:

 

JdeB – O projeto de iluminação de uma residência é tão importante quanto a decoração e o próprio projeto arquitetônico. Como iniciar um bom projeto, sem erro?

Aline – Para ter um bom projeto, o ideal é procurar um profissional habilitado para desenvolver um projeto luminotécnico. Nesse projeto, levamos em consideração condicionantes de conforto visual e até mesmo térmico, pois a escolha da lâmpada errada pode deixar o ambiente mais quente, por exemplo. Através das premissas da luminotécnica e do lighting design, passamos pela consideração aos aspectos humanos (físicos e psicológicos), considerações científicas e tecnológicas e pelo entendimento da responsabilidade da luz na modelagem e desenho do ambiente.

 

JdeB – Qual a importância da cor da lâmpada? Quais as diferenças e indicações para cada uso?

Aline – A escolha da cor da lâmpada influencia diretamente no comportamento dos usuários. A luz branca (4000K ou mais) proporciona um ambiente mais dinâmico, ideal para áreas de trabalho, como cozinhas, escritórios. Já a luz amarela (2700K a 3100K) proporciona um ambiente mais aconchegante, ideal para áreas de descanso como quartos e salas. Para ambientes com salas e cozinhas integradas, o ideal é combinar as duas iluminações, pois precisamos de um ambiente confortável e funcional ao mesmo tempo. Na cozinha, precisamos de uma quantidade maior de luz sobre a bancada, que é uma área de trabalho e precisamos de uma lâmpada com um bom índice de reprodução de cor (IRC). Para verificar a temperatura de cor e o IRC, o consumidor deve olhar a embalagem da lâmpada. Um erro comum é achar que as lâmpadas mais amareladas iluminam menos, porém, o que devemos levar em consideração é a intensidade luminosa e o IRC. Quanto mais o IRC se aproxima de 100, maior será a fidelidade às cores do objeto – um bom IRC está em torno de 80.

 

cozinha

 

JdeB – Como deve ser a iluminação no hall de entrada, que é a recepção da moradia?

Aline – Para garantir a iluminação necessária para cada ambiente, precisamos seguir valores estipulados pela NBR 5413. Por exemplo, para o hall ela estipula 100 lux, o que é uma quantidade bem pequena de luz e uma fluorescente compacta já resolve. Porém, como falamos anteriormente, a iluminação vai além disso: tudo depende do tamanho do espaço, o mobiliário, as cores das paredes, se temos alguma peça como um quadro que queremos destacar, enfim. Uma série de condicionantes vai nos levar a escolher uma determinada lâmpada/luminária. É importante lembrar que a iluminação do hall é crucial para causar a primeira boa impressão da sua casa, pois é o primeiro contato que teremos.

JdeB – E nos banheiros?

Aline – Nos banheiros a atenção especial é para a iluminação do espelho. Devemos iluminar a região do rosto como um todo, sem ofuscamento. As luminárias devem ficar preferencialmente nas laterais do espelho, evitando sombras nas áreas do queixo, nariz e olhos. Para o teto, o ideal é utilizar luminárias difusas com lâmpadas com um bom IRC e tonalidade neutra. Para a área do box existem luminárias que são próprias para áreas molhadas, garantindo assim sua durabilidade e melhor desempenho.

JdeB – Se usam muitas lâmpadas de LED, realmente elas são indicadas em vários ambientes da casa? Por quê?

Aline – O LED é o futuro da iluminação. O tempo de vida útil é muito maior. Praticamente não altera o seu brilho com o uso, uma fluorescente compacta chega a perder 84% do seu fluxo luminoso após duas mil horas de uso. A economia de energia é significativa. Não emitem raios infravermelhos e ultravioletas e não geram calor. O seu descarte não agride o meio ambiente, pois não possuem em sua composição substâncias tóxicas.

 

Publicação: 23/09/2014
http://www.jornaldebeltrao.com.br/noticia/187412/cada-ambiente-com-sua-luminosidade-ideal